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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Força na Peruca - O livro

Recentemente descobri o Livro Força na Peruca da querida Mirela Janotti. 
Ainda quero lê-lo e contar tudinho para vocês. Mas enquanto isso não acontece, vamos curtir um trechinho dele?

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Trecho do livro "Força na Peruca", de Mirela Janotti
 Editora Matrix


Segundo os otimistas, tudo de ruim que acontece na vida da gente tem um lado bom. Se o casamento terminou, pode ser a oportunidade de conhecer alguém melhor. Se você perdeu o emprego, quem sabe não vem uma proposta com mais dinheiro?
Mas, e se essas duas coisas acontecerem ao mesmo tempo? E se, para piorar, você descobrir que está com aquela doença? Aquela doença que antigamente não era nem pronunciada. Como o grande vilão de Harry Potter. Aquele que não deve ser nomeado.
Haja falta de sorte. Pois comigo foi assim.
Nem o mais otimista dos meus amigos achou um lado bom quando eu disse que estava com câncer. Eles já tinham me consolado na minha separação. Já tinham ouvido meus lamentos por ter perdido um ótimo emprego. Mas que proveito eu poderia tirar de um câncer? Morrer, talvez. E depois tentar a sorte em uma próxima reencarnação. Nascer em um corpo novo, sem nenhum tumor. De preferência, na pele de alguém mais afortunado. Uma Angelina Jolie, por exemplo. Como admiro aquela mulher. Linda, famosa, bem-sucedida, livre de preconceitos e, ainda por cima, casada com um deus grego.
Passei alguns dias após a notícia esperando pela morte. Rezava para morrer dormindo e já acordar Angelina Jolie. Mas tudo o que eu via quando abria os olhos era a minha empregada Rosângela segurando uma bandeja com suco de beterraba. Minha mãe decidiu que quem tinha câncer deveria tomar muito suco de beterraba. Eu fechava os olhos e pedia mais meia hora, só que antes era obrigada a engolir o suco porque senão 'perdia a vitamina'.
Anoitecia, amanhecia e, em vez do Brad Pitt ao meu lado na cama, a mesma Rosângela, com o mesmo suco de beterraba. Descobri então que eu não morreria só com a força do pensamento. Dia após dia eu ficava mais vitaminada, com uma feira inteira na hora das refeições: espinafre, escarola, couve, caldo de músculo, fígado, sopa de lentilhas. Decidi viver mais um pouco, nem que fosse só para voltar a comer um hambúrguer com bacon e tomar uma cervejinha.
Passaram-se duas cirurgias, veio a quimioterapia, e por mais incrível que pareça, fui descobrindo coisas bacanas no câncer.
Minha grande amiga Mônica Tritone me disse: 'Se Deus te der uma folha de papel, agradeça. Diga: nossa, que máximo, eu tenho uma folha de papel'. Então, quando não tive mais meus seios, comprei outros novinhos e concluí que os artificiais eram muito mais durinhos e sensuais do que os originais de fábrica. Mostrava meus peitos novos para todo mundo. Para a família, os médicos, as enfermeiras, os amigos, o guarda da rua, o taxista.
Quando não tive mais meus cabelos, comprei uma peruca loira que me deixava parecendo uma garota de programa e, talvez por isso mesmo, fazia sucesso com o sexo oposto. Na verdade, fazia mais sucesso com os míopes porque brilhava além do necessário e, dependendo da iluminação do ambiente, eu ganhava uns ares de travesti. A peruca tinha outro inconveniente: esquentava e tinha que estar sempre muito bem fixada, quase esmagando o crânio, porque senão balançava e saía do lugar.
Não cheguei a usá-la mais do que umas três ou quatro vezes, e o que acabou mesmo fazendo a minha cabeça foram os lenços. De seda, de malha, estampados, lisos, curtos, compridos. Gastei mais dinheiro com lenços do que se tivesse ido ao cabeleireiro para fazer tinturas ou chapinhas. Um dia eu saía de muçulmana, no outro de cigana, pirata, portuguesa, hippie-chic ou, então, vendedora de acarajé. Era o maior style.
Com o tempo, eu também aprendi a tirar proveito de algumas situações. Furava a fila do cinema dizendo com cara de coitada ao atendente: 'Não posso ficar muito tempo em pé por causa da quimioterapia'. Imediatamente eu era acomodada no melhor lugar da sala, com direito a pipoca delivery.
Ia para a balada e jogava a mesma conversa: 'Faço quimioterapia, senhor'. E, logo que o hostess virava as costas, eu pedia ao garçom da minha mesa vip : 'uma caipirinha de lima-da-pérsia, por favor.'
Também pude comprar um carro bacana ao preço de um popular por ficar isenta dos impostos. Sim, alguns portadores de câncer não pagam IPI, nem IPVA. Meus amigos morriam de inveja.
Por último, voltando à história da folha de papel, escrevi este livro que, graças a você que comprou, ainda pode me render uns bons trocados.

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E ai? Gostaram?

Um bjo e ótima semana a todos.

E não se esqueçam, outubro é o mês de conscientização quanto a prevenção do Câncer de Mama.

domingo, 7 de outubro de 2012

Imaginando mainha com cabelo novo

Para os que não sabem, a vasta cabeleira da dona Ana já foi pequenina assim oh:

Essas imagens são de 1985 quando a mãe parou de cortar o cabelo ao se tornar evangélica.

É isso pessoal, agora é esperar os cabelos novinhos que por sinal já estão nascendo, mas como não temos previsão da alta dela da quimio, não sei como vai ser.

Um bjo a todos e obrigada pelo carinho.


Nunca desitam

As vezes em nossas vidas deparamos com certas coisas e pensamos desistir de tudo.
Achamos que é o fim e que jamais conseguiremos sair daquele aperto ... Choramos sozinhos em nosso canto... mais deixa eu te dizer uma coisa... naõ devemos desistir de nada por mais dificil que pareça ser isso, é apenas uma fase e passará logo mais. Para isso vc tem que acreditar que Deus irá fazer isso em sua vida.
Não desista siga em frente, pois somos vencedores e Deus jamais nos desampara... pense nisso..vale a pena passar por tudo issso...pois nós seremos recompesados.

Tenha uma otima noite

Um abraço 

Ana Aparecida

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dicas

Passeando pelo mundo virtual da Heloísa Orsolini encontrei dicas incríveis que vou repassar pra minha mamys.

Como vocês podem ver, a minha mãe é adepta dos bonezinhos e chapeuzinhos -pegou toda minha coleção pra ela .


Ainda estamos começando neste mundo carequinha, mas uma opção elegantérrima e que irei incorporar no visu da dona Ana são os lenços. Eu acho que vai ficar linda (de qualquer jeito né gente).

No vídeo abaixo, a Helô dá dicas de como usar os lenços em seus diversos tipos e tamanhos:



E para aquelas que já estão tendo a graça de ter os primeiros fios de volta, como domá-los?


É isso pessoal, espero que tenham gostado.

E não se esqueçam, Outubro é mês de conscientizar-se quanto a prevenção do câncer de mama, mas o recado vale para o ano inteiro.

O blog apoia essa campanha!




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Por que o cabelo do ator Reynaldo Gianecchini enrolou?

Para finalizar, reproduzo aqui um trecho de uma reportagem publicada na Folha de S. Paulo onde Maria da Glória Gimenes, psico-oncologista e autora do livro "A Mulher e o Câncer" (Livro Pleno, R$ 31, 325 págs), diz que o cabelo costuma ser o ponto fraco do paciente com câncer. "Quem vê de fora pensa que é excesso de vaidade, mas as mudanças no cabelo denunciam a doença. São elas que impedem que o paciente tenha sua privacidade, conte sobre o problema apenas para quem ele quiser", diz.

Essa declaração foi publicada na matéria que explicava o porquê o cabelo do Gianecchini nasceu enrolado após o tratamento.

Agora fiquei curiosa pra saber como vai nascer o cabelo da minha mãe...

A matéria na íntegra vocês conferem aqui:

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03/09/2012-15h30

Saiba por que o cabelo do ator Reynaldo Gianecchini mudou depois da quimioterapia


JULIANA CUNHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Depois que o ator Reynaldo Gianecchini, 39, apareceu com os cabelos crespos e cacheados por conta do tratamento de um linfoma, muitos se perguntam se a quimioterapia afeta a textura do cabelo e se esses efeitos são reversíveis.



O cabelo que nasce logo depois do tratamento costuma ser diferente do cabelo que a pessoa tinha antes. "Isso acontece porque os fios crescem em ciclos diferentes, primeiro mais grossos, depois mais finos, o que deixa o cabelo desigual", explica Artur Malzyner, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
Recentemente, o "British Journal of Dermatology" publicou um estudo sobre as modificações estruturais do cabelo após a quimioterapia. O estudo concluiu que a mudança no aspecto dos fios acontece por conta da diminuição da espessura da fibra capilar e da alta variação na espessura dos fios no couro cabeludo do indivíduo.
Em geral, o que acontece durante a quimioterapia é uma queda acentuada de cabelo. O paciente fica praticamente careca porque as células responsáveis pelo crescimento de pelos têm uma taxa de proliferação muito alta, comparável à velocidade de divisão celular de alguns tumores malignos. Isso faz com que, na tentativa de evitar a proliferação de células cancerígenas, o tratamento destrua também as células do cabelo.
Cerca de três meses depois do tratamento começam a nascer fios diferentes do original. Em um ano, a maior parte dos pacientes já está com o cabelo completamente normal, explica Malzyner.
A mudança no fio ocorre porque a região que controla a espessura e a simetria da fibra capilar é justamente a matriz, área celular afetada pela quimioterapia. Assim, cabelos antes lisos e grossos podem se tornar cacheados e finos e vice-versa.
Pode haver ainda mudanças na cor. O ator Reynaldo Gianecchini, por exemplo, disse que teve de pintar os cabelos, que passaram a nascer grisalhos depois da quimioterapia. "Há registro de pessoas ruivas que se tornaram loiras e de pessoas muito jovens que ficaram grisalhas", conta a dermatologista Camila Hofbauer, do Grupo de Dermatologia Estética do Hospital das Clínicas da USP.
Não dá para prever se o cabelo voltará ao normal. Caso não volte, o jeito é recorrer a tratamentos estéticos se o paciente não se acostumar com o novo cabelo.
Já existem técnicas para controlar a queda durante a quimioterapia: "Dá para usar um dispositivo de resfriamento do couro cabeludo que causa a vasoconstrição local e reduz os efeitos do medicamento nos folículos", explica Hofbauer
Para Maria da Glória Gimenes, psico-oncologista e autora do livro "A Mulher e o Câncer" (Livro Pleno, R$ 31, 325 págs), o cabelo costuma ser o ponto fraco do paciente com câncer. "Quem vê de fora pensa que é excesso de vaidade, mas as mudanças no cabelo denunciam a doença. São elas que impedem que o paciente tenha sua privacidade, conte sobre o problema apenas para quem ele quiser", diz.

Fonte: Folha de São Paulo

domingo, 30 de setembro de 2012

Força na Peruca ²

A mãe havia pedido fotos carequinha e eu relutei um pouco. É dificil aceitar que aquele cabelão abaixo da cintura não está mais lá.

Mas hoje, enfim as fotos saíram:









segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Força na piruca mamys

Eu sei que acabei de postar que não falaria mais (ou pelo menos tentaria) de coisas tristes.
Mas este fim de semana foi especial para mim, preciso compartilhar.
Coube-me a missão de tornar a minha rainha, Camila (Carolina Dieckmann) por instantes.
Desde o início dessa nova quimio (é eu sei não falei disso ainda né) a médica havia dito que o cabelo da mamys cairia. Sugeri desde o início que ela cortasse o cabelo baixinho para não ter o incomodo de ficar catando os fios ao cair na cama, no banho (...). Enfim, ela relutou bastante, mas na semana passada, de um dia para o outro, caiu praticamente todo o cabelo que restava.
Ela se convenceu de que o melhor mesmo era raspar o que restava e abusar das toucas, chapéus e lencinhos... E lá vai eu com a maquinhinha, tira aqui, acerta ali... e ela continua gata mesmo carequinha.

Agora ela faz parte deste time aqui oh:


E sabe qual foi a inspiração?
Na minha cabeça tocava Lara Fabian e por mais que na época eu não tenha assistindo a cena (ainda não tinha tv), vale a pena ver de novo o momento em que a Carol viveu também este momento.



PS: Em entrevista ao Programa do Jô, Reynaldo Gianechinni, que também luta contra o câncer, relata como foi esse momento, que por coincidência, vivia pela 2ª vez, agora como personagem principal. "Quando raspei o cabelo, não me importei. Me lembrei da cena de Laços de Família , da cena da Carol raspando a cabeça. Liguei pra ela, mas falei que não estava chorando e sim amarradão no meu novo visual".
Na novela, ele e a Camila tinham um relacionamento.

A entrevista você confere aqui: